ESTRATÉGIAS PARA SE SAIR BEM EM UMA CORRIDA VIRTUAL

ESTRATÉGIAS PARA SE SAIR BEM EM UMA CORRIDA VIRTUAL

Por Yara Achôa

A corrida virtual tem uma série de vantagens: dá para correr onde e no horário que quiser, você pode participar de desafios com atletas de todo o Brasil, é indicada para todos os níveis de condicionamento… Alguns detalhes, no entanto, fazem a diferença para que sua experiência seja ainda melhor. Confira!

ESCOLHA SUA DISTÂNCIA

O ponto de partida é esse. Você pode ir dos 5K aos 42K e até mais se quiser, mas é preciso estar com o fôlego e a saúde em dia para encarar uma prova com a “faca nos dentes” ou um percurso mais longo . Você conseguiu treinar durante o isolamento? Como anda seu condicionamento? Vai correr em busca de uma boa marca? “É bom lembrar que estamos em um momento de ‘retorno às provas’. Muita gente ficou em casa sem ter como treinar direito. O ideal é ter uma base e estar preparado, especialmente para longas distâncias”, diz a psicóloga esportiva Paula Figueira. Pense nisso na hora de fazer sua opção.

PRÉ-DEFINA O PERCURSO

A cidade não vai parar para você fazer sua maratona virtual, nem os semáforos estarão programados para o verde para você bater seu recorde pessoal nos 10K. É preciso planejar por onde você vai passar para a corrida fluir e não ter imprevistos pelo caminho. Guilherme Maciel Anastácio, de 30 anos, de Blumenau (SC), corre há 11 anos, mas só agora fez sua primeira maratona – a SP City VR. “Quando a prova oficial foi cancelada, decidi manter a meta deste ano de finalizar uma maratona. Optei pela corrida virtual para ter algo para relembrar a conquista da primeira maratona”, conta. Por se tratar de longa distância, durante os treinos ele já estava testando possíveis caminhos. “Para traçar o percurso final, utilizei uma ferramenta do Garmin Connect. Decidi percorrer as ruas da cidade de Blumenau, pois não curto corridas de longas retas intermináveis. O ruim foi ter de lidar com o trânsito da cidade, porque as ruas não foram fechadas como se fosse uma prova organizada”. A solução encontrada foi escolher o domingo e iniciar a corrida bem cedo. “Deu tudo certo!” Quem também recorreu a um aplicativo para definir o percurso foi Adair Aparecido de Azevedo Junior, de 33 anos, de São Paulo (SP), que correu os 21K da Rio City VR. “Usei os apps da Nike e o da Adidas, que são gratuitos”, explica.

Corredora há quatro anos, Aurisonia Lisboa de Oliveira, de 44 anos, de João Pessoa (PB), definiu que faria provas mais longas para se manter ativa e desafiar os limites do corpo e da mente. Optou então pelos 15K da Cosan Athenas Run Faster VR. “Fui a um treino com uns amigos e aproveitei para cumprir a distância. Como já treinamos nesse percurso, plano e sem tráfego, em um ambiente rural, gostoso de fazer sem o barulho da cidade, sabia exatamente a distância. Então foi bem fácil. Para registrar meu tempo e enviar à organização, utilizei o aplicativo Strava”, conta. Para Ivan Araújo, de 49 anos, do Rio de Janeiro, que fez os 15K da Run Faster, também é importante pensar na segurança com trajetos que visem o distanciamento entre as pessoas. “Minha estratégia foi correr cedo para evitar aglomerações. E planejei o percurso usando os aplicativos de rota, onde tenho noção do tempo e caminho a ser percorrido.”

PENSE NOS POSTOS DE HIDRATAÇÃO

A estratégia de Aurisonia foi aproveitar a estrutura do treino dos amigos, que mantém um ponto de apoio com água e lanches. “Mas para meus 15K levei comigo uma garrafinha d’água e um gel na pochete”, diz. Para fazer uma corrida autônoma e segura, o carioca Ivan também recorreu a um cinto de hidratação. “É importante ainda sair com o documento de identidade e uma máscara reserva”, lembra. Para quem não gosta de carregar garrafa, a saída é levar algum dinheiro e programar paradas estratégicas em um posto de gasolina ou mercado pelo caminho e comprar a água. “Por mais que você esteja física e mentalmente preparado, é preciso ter auto responsabilidade e pensar em todos os itens da sua prova. Você não atinge uma meta só com força de pensamento e vontade”, reforça Paula Figueira.

PREPARE A CABEÇA

Além de toda a preocupação com a logística, você também tem de lidar com o fato de não ter outros competidores ali ao seu lado – o que em uma corrida tradicional sempre traz motivação. Como encarar uma prova tão solitária? A preparação tem de começar antes. A psicóloga esportiva Paula Figueira recomenda sessões de meditação no período de treinamento para trabalhar o foco e a conexão com seu objetivo. “Indico ainda a técnica de visualização. Imagine-se correndo no percurso que vai fazer, lembre-se que estará sozinho… Durante os treinos, perceba suas sensações e traga-as para o dia de sua corrida virtual”, ensina a especialista.  Para Paula, lançar-se ao desafio de uma corrida virtual é um convite à introspecção, ao olhar mais para dentro, para trabalhar também forças e fraquezas. “E para quem vai de percurso mais longo, tendo uma série de coisas para planejar e lidar pelo caminho, digo que tem de ter muita vontade, tem de estar muito conectado com o que se está fazendo.”

CONVOQUE OS AMIGOS

Uma recomendação importante para quem vai encarar uma maratona virtual, como Guilherme fez, é ter pelo menos uma pessoa para dar suporte. “Contei com um grande amigo. Ele estava inteirado com todo o planejamento: do percurso aos momentos em que eu tinha de beber água ou comer algo. Sua companhia foi fundamental para que eu completasse meus primeiros 42K”, relata o corredor de Blumenau. Em relação à “torcida”, o novo maratonista diz que recebeu incentivo de uma legião de amigos por meio das redes sociais. “E alguns amigos apareceram no meio do percurso para incentivar, o que ajudou ainda mais.” Embora esteja acostumada a fazer treinos longos e solitários, Aurisonia disse que sua prova virtual de 15K foi um pouco cansativa. “Creio que com um staff meu desempenho teria sido melhor.”

CORRA PARA O ABRAÇO

Mesmo que a gente busque completar alguma distância especial ou um recorde pessoal, o importante é chegar com saúde e feliz ao final. “Minha maratona virtual foi tranquila, me preparei bastante para ela. A partir do quilômetro 37 comecei a cansar, mas estava preparado para essa famosa barreira da maratona. Completei em 3h47min – para uma primeira maratona, sem ruas fechadas, sem apoio de organização, sem torcida, um sub 4 é sensacional! É uma sensação muito boa de dever cumprido, alívio e orgulho pessoal”, resume Guilherme. Os 15K da corredora de João Pessoa foram feitos em 1h32min. “Foi um pouco mais alto do que em outras corridas, mas sei que posso melhorar. De qualquer maneira, é sempre uma conquista, uma superação.” Na mesma distância, o carioca Ivan fechou com 1h33min, com motivos de sobra para comemorar. “Foi o meu melhor tempo. E isso motiva. Tanto que já estou programando a próxima, de 18K.” “O legal de uma corrida virtual também é aprender a se reinventar diante de situações adversas”, finaliza Paula Figueira.