A MÁSCARA IDEAL PARA CORRER

A MÁSCARA IDEAL PARA CORRER

Por Yara Achôa

Não existe um modelo perfeito. Da máscara simples à mais tecnológica, o importante é usar! Destacamos os prós e os contras dos principais tipos disponíveis no mercado.

A pandemia não acabou – e não tem data certa para terminar! Isso significa que, por algum tempo ainda, vamos ter de levar bem a sério as recomendações das autoridades de saúde para evitar a propagação da Covid 19: respeitar o distanciamento social, evitar aglomerações, higienizar bem as mãos, ter cuidado ao tocar o rosto e usar máscara ao sair de casa e circular em ambientes com outras pessoas.

“Entre todas essas medidas, o uso de máscara tem se mostrado a maneira mais eficaz para reduzir a transmissão do vírus”, diz Valdir de Andrade Braga, doutor em fisiologia, professor da Universidade Federal da Paraíba e do Instituto Karolinska (na Suécia), pesquisador e maratonista. Um trabalho desenvolvido pelos Centros de Controle e Prevenção de Doença dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês para Centers for Disease Control and Prevention) apontou, inclusive, que o uso de máscaras é capaz de conferir mais proteção do que apenas o distanciamento social ou a higienização das mãos. Portanto, o acessório veio para ficar e já é item incorporado em todas as rotinas – inclusive as esportivas.

E seja qual for a situação, a máscara tem de cobrir nariz e boca o tempo todo. “A proposta é impedir que você elimine ou exale partículas do vírus pela respiração. Mas é comum ver corredores iniciarem o treino de máscara e, ao sentirem desconforto respiratório, abaixam e deixam a máscara no queixo, o que não é indicado”, constata Braga.

Correr com uma barreira física dificulta a respiração, claro. O que pode levar também a uma queda de rendimento. “O ritmo cai pelo menos 5 a 10 segundos por quilômetro. Mas como é algo individual, alguns se adaptam melhor do que outros”, observa o treinador Nelson Evêncio, diretor técnico da Nelson Evêncio Assessoria Esportiva.

Não se preocupe com performance

A boa notícia é que, do ponto de vista fisiológico, nosso corpo se acostuma rápido. “Nos primeiros dias há um nítido desconforto, os músculos inspiratórios e expiratórios têm de fazer mais força e a percepção de esforço é maior. Depois de sete a dez dias, porém, acontece o ajuste”, afirma o fisiologista Valdir Braga, que sentiu isso na prática de seus treinos. “O momento é de nos mantermos ativos pela saúde e boa a imunidade. Não é hora de bater recorde ou buscar performance a qualquer custo”, reforça Eduardo Barbosa, treinador de corrida da Quark Sports e mestrando em Educação Física

Qual é o melhor modelo?

A pergunta é difícil de responder. “Em um mundo ideal, para que a máscara fosse 100% efetiva, deveria ser impermeável à água. Assim, não deixaria passar fluídos, mas também impediria a passagem de ar – e ninguém conseguiria correr. Então, todos os tipos possuem certa permeabilidade. O fato é que existe uma relação inversa entre conforto e proteção. Ou seja, quanto mais confortável é a máscara, via de regra, menor seu poder de proteção”, resume o professor da Universidade Federal da Paraíba.

Molhou, trocou!

Já que não existe um produto totalmente eficaz contra o coronavírus para a prática esportiva, há que se ter alguns cuidados para minimizar os riscos. O básico é trocar a máscara ao senti-la úmida. Isso porque, nessas condições, ela perde a capacidade de barreira física para o vírus – ele pode se diluir nessa solução aquosa e atravessar o material. “O recomendado é seguir esse protocolo: molhou, trocou. Em um treino mais longo, com mais de uma hora, no entanto, a logística é complexa. Você terá de carregar várias máscaras secas para trocar de tempos em tempos”, avalia Braga. De qualquer forma, a recomendação continua sendo a seguinte: mesmo que o acessório molhe e que você se sinta desconfortável, em locais de aglomeração, parques, orla da praia, treine de máscara!

OS PRINCIPAIS MODELOS

Os especialistas analisam os tipos de máscara para ajudar você a escolher a sua.

TNT

A máscara descartável é leve, fininha, permite boa respirabilidade e é barata, mas fica úmida muito rápido, o que faz com que diminua sua eficiência como barreira física. Você pode levar algumas no bolso do shorts para fazer a troca se o treino for mais longo. “Ela facilita a entrada de O2 e a saída do CO2. A desvantagem é que, depois de um tempo de exercício, fica molhada e precisa ser trocada, pois além de perder a utilidade, atrapalha entrando na boca “, avalia Evêncio. “Considero a mais confortável, especialmente a que tem aquela pequena haste que se molda ao nariz. Não dá sensação de sufocamento e tem bom custo-benefício”, completa o treinador Eduardo Barbosa. Preço médio: R$ 1,50.

ALGODÃO

Com trama mais fechada e até com três camadas de tecido, é uma excelente barreira contra o vírus. “Tende a ficar menos úmida do que a de TNT. Mas, por ser mais grossa, dificulta a respiração e causa desconforto rapidamente”, diz o fisiologista Valdir Braga. Preço médio: R$ 5.

TECNOLÓGICA

Feita em knit, material similar a outros produtos tecnológicos para corrida, e com espaço para acoplar um filtro descartável, esse tipo de máscara teria eficiência de 95% segundo os fabricantes. “O ajuste dela ao rosto é perfeito”, considera Barbosa. Mas, para garantir a segurança, que é o que importa, deve ser usada com o filtro. “Sem ele, é uma máscara extremamente porosa, que é confortável e socialmente aceita, mas não protege”, avalia Braga. Por conta de toda engenharia empregada no material e na fabricação, o produto é mais caro e ainda exige a compra constante de filtros descartáveis – porque o princípio é o mesmo do modelo de TNT: ficou úmido, tem de ser trocado. E você ainda tem de pensar como fazer isso durante seus treinos. Vai trocar em movimento? Vai parar atrapalhando o fluxo de sua corrida? Preço médio: R$ 75 máscara; R$ 30 filtros descartáveis (30 unidades).

NEOPRENE

Com composição de 94% poliéster e 6% elastano, é mais encorpada e anatômica. Alguns modelos, com uma costura central, em frente à boca e nariz, aumentam o espaço interno para circulação de ar, o que deixa a respiração um pouco mais confortável. Mas, por acumular umidade rapidamente, tem a eficácia reduzida. “O material provoca sensação de abafamento e calor. Recomendaria mais para o dia a dia do que para treinos”, diz Barbosa. Preço médio: R$ 8.

FIT

O tecido fininho e de toque agradável é parecido com o de uma camiseta de corrida – contém 90% poliamida e 10% elastano. “É das mais confortáveis, uma delícia de usar. Mas é do tipo que menos protege, porque fica molhada rápido e vira meio de cultura para o vírus. E, mesmo seca, é muito porosa”, analisa Braga. Preço médio: R$ 15.

BANDANA/BUFF

Geralmente de tecido fininho e leve, fica confortável no rosto. Pode ser dobrada para formar várias camadas, mas isso compromete o conforto da respiração. Por ser de tecido, também fica úmida nos primeiros quilômetros. Para longas distâncias, pode começar a cair do rosto e incomodar. “No caso do buff, esquenta o pescoço, o que incomoda ainda mais nos dias de calor”, diz Barbosa. Preço médio: a partir de R$ 25.